O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, afirmou neste domingo (19) que o país não realizará novas eleições, alegando que a medida impedirá o retorno da oposição ao poder. A declaração foi feita durante as comemorações dos 47 anos da Revolução Sandinista, em Manágua, e amplia as preocupações sobre o futuro da democracia no país.
No discurso, Ortega acusou adversários políticos de tentarem assumir o governo por meio das urnas e anunciou que o Parlamento, controlado por aliados do governo, deve aprovar novas leis para endurecer o combate ao que chamou de “golpistas” e “traidores da pátria”. O presidente também voltou a criticar os Estados Unidos, afirmando que Washington financia opositores nicaraguenses.
A Nicarágua deveria realizar eleições gerais em 2027, após mudanças constitucionais que ampliaram o mandato presidencial para seis anos e criaram o cargo de copresidente, ocupado por Rosario Murillo, vice-presidente e esposa de Ortega. As reformas foram alvo de críticas da ONU, da OEA e de organizações de direitos humanos.
Em resposta às declarações, grupos de oposição denunciaram que o governo eliminou as condições para uma disputa democrática, citando o fechamento de milhares de organizações da sociedade civil, a cassação de partidos políticos e o encerramento de veículos de comunicação. Segundo os críticos, o país vive sem uma oposição efetivamente atuante.
Durante o mesmo discurso, Ortega também voltou a atacar os Estados Unidos, criticando a política de Washington em relação à Venezuela e Cuba e reiterando acusações contra o governo norte-americano, que, por sua vez, mantém sanções contra integrantes do governo nicaraguense e familiares do casal presidencial.
