A sessão extraordinária da Câmara Municipal de Goiana, realizada nesta terça-feira (21), foi marcada por momentos de tensão, troca de acusações e exaltação no plenário. O presidente da Casa, vereador Eduardo Batista, elevou o tom durante uma discussão envolvendo os vereadores Paula Brito, Renato Sandré, Pedro Henrique e Alexandre Carvalho sobre a tramitação de projetos enviados em regime de urgência pelo Poder Executivo.
A tensão começou após Paula Brito e Renato Sandré pedirem vista de matérias em análise. Paula questionou informações do Projeto de Lei nº 037/2026, relacionado à abertura de crédito adicional suplementar. Já Renato apontou dúvidas no projeto que autoriza a doação de um terreno para instalação de uma empresa, chegando a afirmar que o CNPJ informado no texto estaria incorreto. Os pedidos abriram uma discussão sobre o prazo regimental de 24 horas para análise das matérias urgentes.
Ao defender mais tempo para que os vereadores analisassem os projetos, Eduardo Batista elevou o tom e criticou a forma como matérias em regime de urgência chegam ao Legislativo.
“A gente não vai engolir de goela abaixo aqui da forma que o Executivo quer, não, gente. Não pode ser assim também, não”, disparou.
O presidente também questionou a necessidade de acelerar a votação dos projetos. “É caráter de urgência, é. Mas é uma UTI, é? Isso é uma UTI que tem que, de todo jeito, amanhã ser resolvido? Isso é caso de vida? Não é, gente”, afirmou.
O clima ficou ainda mais acalorado quando Alexandre Carvalho defendeu o cumprimento do Regimento Interno e sustentou que os pedidos de vista em matérias urgentes deveriam observar o prazo de 24 horas. Batista reagiu, argumentando que, se todas as regras regimentais fossem aplicadas rigorosamente, os projetos sequer deveriam ter avançado para primeira discussão naquele mesmo dia.
Em outro momento, o presidente voltou a se exaltar ao comentar a possibilidade de acelerar ainda mais as votações. “Isso daqui é uma Casa Legislativa, gente, não é uma casa de farinha, não. A gente precisa ter responsabilidade, compromisso com o que a gente está aqui para fazer”, declarou.
O embate se intensificou quando Batista decidiu marcar para a segunda-feira seguinte a nova apreciação do projeto de suplementação. Alexandre Carvalho contestou e defendeu que a decisão deveria ser submetida ao plenário, afirmando que os vereadores não poderiam ficar sujeitos a uma decisão individual da Presidência.
“Eu estou decidindo, vereador. Eu tenho poder de decisão”, respondeu Batista. Alexandre rebateu: “Quero que registre em ata que eu não concordo”.
Apesar do bate-boca, Eduardo Batista manteve a decisão e encerrou a sessão estabelecendo que o Projeto de Lei nº 037/2026 voltará à pauta na próxima sessão. Os episódios evidenciaram um ambiente de forte tensão dentro da Câmara, inclusive entre parlamentares que discutiam os limites regimentais, a autonomia do plenário e o ritmo de votação das matérias encaminhadas pela Prefeitura.
