O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Paulo Rodrigues, fez duras críticas ao terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirmou que o atual governo apresenta o pior desempenho na pauta da reforma agrária entre as três gestões do petista.
Em entrevista ao UOL, o dirigente atribuiu o resultado à política econômica adotada pelo governo.
“Eu acho que o Lula defende a reforma agrária, mas a sua política econômica, adotada pelo Ministério da Fazenda, combinada com a agenda de ajuste fiscal, fez com que a agenda da reforma agrária ficasse completamente na periferia dos programas do governo.”
Segundo João Paulo, o número de famílias assentadas ficou muito abaixo das expectativas da esquerda e do próprio movimento.
“Eu corro o risco de dizer que foi o pior desempenho dos três mandatos do presidente Lula (…). Na prática, o número de famílias assentadas não chegou a 10 mil novas famílias ao longo desses três anos. Isso é muito pouco.”
O coordenador afirmou que o governo ainda não atendeu à demanda de cerca de 150 mil famílias acampadas e fez uma cobrança direta ao presidente.
“O governo Lula está em dívida no que se refere à desapropriação de imóveis e ao assentamento de famílias acampadas.”
Apesar das críticas, João Paulo confirmou que participará da coordenação da campanha de reeleição de Lula, a convite do governo, e disse acreditar que um eventual quarto mandato poderá entregar resultados melhores para a reforma agrária.
O dirigente também defendeu que o presidente autorize desapropriações de terras por ato do Executivo, sem depender de decisões do Congresso Nacional ou do Poder Judiciário. Essa proposta contraria o modelo previsto na Constituição para desapropriações e o regime jurídico aplicável ao direito de propriedade.
