O enviado dos Estados Unidos e genro do presidente Donald Trump, Jared Kushner, se reúne nesta segunda-feira (17) com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em mais uma tentativa de Washington de aproximar Israel e Hamas em torno do plano de paz para Gaza.
Antes do encontro, Kushner esteve no Egito, onde conversou com representantes do Hamas sobre a implementação da segunda etapa do acordo. A proposta prevê, entre outros pontos, o desarmamento do grupo palestino e a retirada das forças israelenses de Gaza.
O Hamas afirma ter aceitado o mapa do caminho apresentado pelo governo americano, mas Netanyahu rejeitou o texto e passou a exigir o desarmamento completo do movimento antes de qualquer retirada militar. A divergência se tornou um dos principais obstáculos para o avanço das negociações.
Durante a reunião no Egito, Kushner também teria defendido que o Hamas não participe do futuro governo de Gaza. O grupo, por sua vez, pediu que os Estados Unidos pressionem Netanyahu para aceitar a proposta e cumprir os termos previstos no plano.
A aproximação de Washington com o Hamas representa uma mudança em relação à postura tradicional dos Estados Unidos, que há anos evitavam contatos diretos com o grupo, classificado por Washington como organização terrorista. O governo Trump, porém, passou a apostar no diálogo como caminho para tentar encerrar o conflito.
Netanyahu chega ao encontro pressionado também pelo cenário político interno e por integrantes de seu próprio governo. No domingo, oito países muçulmanos, entre eles Egito, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, criticaram a rejeição israelense ao plano de paz.
Enquanto as negociações avançam, Israel e Hamas continuam trocando acusações sobre violações do cessar-fogo iniciado em outubro de 2025. Segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza, citado pela ONU, pelo menos 1.262 palestinos morreram em operações israelenses desde o início da trégua. O Exército de Israel registrou cinco militares mortos no mesmo período.
