O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, defendeu que o governo passe a tratar o avanço das apostas online, conhecidas como bets, como um grave problema de saúde pública. A declaração foi feita nesta quinta-feira (3), após uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para discutir medidas relacionadas ao setor.
Padilha afirmou que o Ministério da Saúde defende uma regulação semelhante à adotada pelo Brasil no combate ao tabagismo. Entre as medidas discutidas estão restrições à publicidade das plataformas, especialmente em horários de maior exposição de crianças e adolescentes, além de limitações à associação entre apostas e atividades esportivas.
Segundo o ministro, a experiência brasileira com a regulamentação da publicidade de cigarros demonstra que limitar a exposição pode ajudar a reduzir os impactos da dependência.
Um dos dados apresentados por Padilha chama atenção para a dimensão do problema. Mais de 1,2 milhão de brasileiros já utilizaram a plataforma de autoexclusão criada pelos Ministérios da Saúde e da Fazenda para deixar as plataformas de apostas. Mais da metade dessas pessoas apontou problemas relacionados à saúde mental e ao descontrole com os jogos.
O Ministério da Saúde também passou a disponibilizar, por meio do Meu SUS Digital, um autoteste para identificar possíveis problemas relacionados às apostas. A ferramenta é acompanhada da possibilidade de teleatendimento com psicólogos, destinado tanto às pessoas que identificam comportamento compulsivo quanto aos familiares afetados.
Padilha destacou ainda uma diferença entre os perfis de quem apresenta compulsão e de quem procura ajuda. Embora estudos apontem maior incidência do problema entre homens, a maioria dos pedidos de atendimento psicológico é feita por mulheres.
Para o ministro, o dado mostra que os efeitos das apostas não ficam restritos ao apostador. O problema também pode atingir familiares, afetando as relações de cuidado e a situação financeira das famílias.
“Eu defendo que a gente tenha que tratar esse tema como a gente tratou com o tabaco”, afirmou Padilha, ao defender que informações relacionadas à saúde sejam utilizadas para aperfeiçoar as políticas públicas e a regulamentação das apostas.
A discussão ocorre em meio ao crescimento das plataformas de apostas no Brasil e à preocupação do governo federal com os impactos financeiros, sociais e psicológicos associados ao jogo compulsivo.


