O candidato à Presidência da República pelo Avante, Augusto Cury, criticou a decisão do governo Luiz Inácio Lula da Silva de proibir as bets no Brasil e questionou o momento escolhido para a medida, anunciada a poucos dias do primeiro turno das eleições.
Em conversa com jornalistas nesta segunda-feira (28), após cumprir agenda em São Paulo, Cury afirmou que a decisão teria motivação eleitoral. “Eu não entendo por que às vésperas da eleição o Lula faz isso. Está usando a dor das pessoas para ganhar voto”, declarou.
Apesar da crítica à condução do governo, Cury defendeu regras mais rígidas para o setor de apostas. Segundo o presidenciável, as plataformas deveriam ser submetidas a uma tributação elevada ou, caso isso não seja suficiente, serem eliminadas.
“Gera dependência? Então, tem que pagar altíssimo imposto, 50% a 60%, ou então eliminá-la”, afirmou. Cury comparou a dependência provocada pelas apostas ao vício em drogas ilícitas e defendeu uma política de maior controle sobre a atividade.
Na avaliação apresentada pelo candidato, o problema está relacionado aos impactos das apostas sobre a população e não apenas à existência das plataformas. Ele também criticou a forma como o governo decidiu implementar a proibição.
“Mas do jeito que ele está fazendo, reitero, Lula está preocupado muito mais com a perpetuação do poder do que a condição emocional e a saúde biológica das pessoas deste país”, afirmou Cury.
A Medida Provisória assinada por Lula entrou em vigor após sua publicação no Diário Oficial da União e prevê o encerramento das operações das plataformas de apostas. Os apostadores têm prazo para retirar eventuais saldos, enquanto as empresas também deverão retirar publicidade e patrocínios relacionados às bets.
A medida ainda precisa ser analisada pelo Congresso Nacional para se tornar definitiva. Entidades do setor também questionaram a decisão no Supremo Tribunal Federal, alegando, entre outros pontos, falta de demonstração de urgência para a edição da MP.




