O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), voltou a provocar polêmica ao acusar governadores de direita de formarem um “consórcio de traição à pátria” por atuarem, segundo ele, contra as medidas do governo Lula (PT) na área de segurança pública.
Em entrevista ao Valor Econômico, Boulos criticou a articulação de líderes estaduais que defendem o enquadramento de facções criminosas como organizações terroristas. Para o ministro, a medida tem mais valor simbólico e político do que prático.
“Você vai combater o tráfico mudando o nome? Isso não muda um ‘A’”, declarou. Ele afirmou que o discurso de endurecimento penal alimenta uma “política baseada no medo e no sangue”, usada para capitalizar apoio popular em momentos de tensão social.
As declarações de Boulos ocorreram após governadores de centro e direita se reunirem no Rio de Janeiro para anunciar o Consórcio da Paz, que promete unir esforços estaduais no enfrentamento à criminalidade. O ministro reagiu com ironia, acusando o grupo de buscar protagonismo político em cima da crise de segurança.
Boulos também condenou a Operação Contenção, que resultou em mais de 120 mortes no Rio de Janeiro, e disse concordar com o presidente Lula, que classificou a ação como uma “matança”. “Dizer que uma operação que matou mais de 120 pessoas não foi uma matança? Então precisamos ressignificar a língua portuguesa”, afirmou.
O ministro defendeu que o governo federal vem adotando medidas estruturais para enfrentar o crime organizado, citando a PEC da Segurança Pública e o PL Antifacção como exemplos de ações concretas. Segundo ele, a diferença entre o governo Lula e os governadores opositores é de método e de propósito.
“Eles fazem política com o medo, enquanto nós queremos enfrentar de verdade o problema da segurança, pegando o peixe grande”, afirmou.
Ao comentar pesquisas que indicam aprovação popular à operação no Rio, Boulos fez uma crítica dura à forma como a opinião pública reage à violência. “A população aplaudiu o banho de sangue, assim como aplaudiu o massacre do Carandiru em 1992. Se esse sentimento pautar decisões de governo, daqui a pouco estaremos defendendo câmara de gás”, concluiu.
*Com informações do Pleno News
