A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, admitiu nesta segunda-feira (23) o aumento dos casos de feminicídio e violência contra a mulher no estado e no Brasil, e afirmou que o governo tem intensificado ações para enfrentar o problema. A declaração foi feita após um evento no centro do Recife, em meio à repercussão de mais um crime registrado na capital.
O caso mais recente ocorreu no bairro da Imbiribeira, onde uma jovem de 22 anos foi morta pelo ex-companheiro dentro do próprio apartamento. Após o crime, o agressor tirou a própria vida. Segundo informações, a vítima já havia denunciado o homem anteriormente e solicitado medida protetiva, evidenciando um padrão recorrente em episódios desse tipo, marcado por histórico de ameaças e violência.
Diante do cenário, a governadora ressaltou que o enfrentamento ao feminicídio exige uma atuação firme do Estado, tanto na prevenção quanto na punição. Ela destacou que a gestão estadual tem buscado acelerar respostas institucionais e ampliar o acesso das mulheres aos mecanismos de proteção, incluindo o funcionamento de delegacias especializadas 24 horas.
Entre as medidas em curso, Raquel Lyra enfatizou a importância das ações preventivas, como a concessão de medidas protetivas e o afastamento dos agressores, além do fortalecimento de políticas voltadas ao acolhimento das vítimas. Segundo ela, o objetivo é garantir que mulheres se sintam seguras e tenham suporte imediato ao denunciar situações de risco.
A governadora também defendeu punições rigorosas para os responsáveis por esse tipo de crime e destacou o reforço no policiamento especializado, como as viaturas da Patrulha Maria da Penha. Além disso, mencionou investimentos na qualificação de profissionais para melhorar o atendimento às vítimas e fortalecer a atuação preventiva das instituições.
Um dos principais pilares da estratégia do governo é a ampliação da rede de acolhimento. De acordo com a gestora, Pernambuco está implantando 30 centros de referência voltados ao atendimento de mulheres em situação de violência, com a maior parte das unidades prevista para entrar em funcionamento nas próximas semanas. A iniciativa busca descentralizar os serviços e alcançar regiões fora da Região Metropolitana.
Para além das medidas emergenciais, Raquel Lyra defendeu a necessidade de mudanças estruturais e culturais no enfrentamento da violência de gênero. Entre as ações citadas estão a criação de núcleos de combate à violência nas escolas estaduais e o fortalecimento de políticas públicas que promovam autonomia e conscientização.
A fala da governadora reforça o desafio crescente enfrentado pelo poder público diante do avanço dos casos e evidencia a necessidade de ações integradas para conter um problema que continua a impactar vidas em todo o país.