Uma declaração feita por Eduardo Bolsonaro durante um dos maiores eventos conservadores do mundo reacendeu tensões no cenário político brasileiro e provocou reação imediata no Congresso. O deputado federal Lindbergh Farias solicitou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a revogação da prisão domiciliar de Jair Bolsonaro.
O pedido foi motivado por uma fala de Eduardo durante a Conferência de Ação Política Conservadora, a CPAC, realizada no último sábado. Na ocasião, o ex-deputado afirmou que estava registrando imagens do evento para mostrar ao pai, o que, segundo Lindbergh, pode indicar que Bolsonaro teve acesso indireto a conteúdo externo — algo proibido pelas condições impostas pela Justiça.
Na avaliação do parlamentar petista, a declaração não é apenas política, mas juridicamente relevante. Ele sustenta que há indícios plausíveis de descumprimento da decisão judicial, uma vez que o ex-presidente está impedido de acessar qualquer meio de comunicação, mesmo que por intermédio de terceiros. Para Lindbergh, o episódio ganha ainda mais gravidade por ter ocorrido em um ambiente de forte mobilização ideológica e ampla repercussão pública, com posterior circulação nas redes sociais.
Durante o evento, Eduardo Bolsonaro subiu ao palco antes do irmão, Flávio Bolsonaro, e afirmou que pretendia provar que não é possível silenciar um movimento político retirando sua principal liderança. A fala foi feita enquanto ele gravava o público presente.
Diante da repercussão, Alexandre de Moraes determinou, nesta segunda-feira, um prazo de 24 horas para que a defesa do ex-presidente esclareça se houve, de fato, qualquer tipo de acesso ao material, direto ou indireto, o que poderia configurar violação das medidas impostas.
Horas depois, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro se manifestou publicamente, afirmando que não recebeu o vídeo nem o apresentou ao marido. Segundo ela, Bolsonaro segue em recuperação em casa após ser diagnosticado com broncopneumonia bacteriana.
A prisão domiciliar foi concedida por razões de saúde e tem duração prevista de 90 dias a partir da alta hospitalar. Até lá, o ex-presidente deve permanecer em casa, com restrições rígidas de comunicação, em vigor até o fim de junho.
