O senador Flávio Bolsonaro elevou o tom das críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao afirmar que o Brasil estaria sendo tratado como uma “colônia chinesa”. A declaração foi dada em entrevista ao jornal britânico Financial Times e ocorre em meio a uma agenda internacional que busca projetá-lo como pré-candidato à Presidência.
Na conversa com o veículo, Flávio criticou a condução da política externa brasileira, especialmente no que diz respeito à relação com os Estados Unidos. Segundo ele, o governo estaria fechando portas para Washington enquanto amplia laços com a China, o que classificou como um erro estratégico. A fala gerou reação imediata de setores governistas e intensificou o debate sobre o posicionamento do Brasil no cenário internacional.
Durante a mesma agenda no exterior, o senador participou da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), no Texas, onde defendeu o potencial brasileiro no fornecimento de minerais críticos. Ele afirmou que o país poderia ser peça-chave para reduzir a dependência norte-americana da China nesse setor, reforçando seu discurso voltado à aproximação com os Estados Unidos.
A repercussão das declarações foi rápida. A ministra Gleisi Hoffmann criticou duramente a fala, classificando-a como prejudicial aos interesses nacionais. Já a deputada Luciene Cavalcante acionou a Procuradoria-Geral da República para que sejam apuradas possíveis irregularidades, incluindo suspeitas relacionadas à soberania nacional.
O Financial Times também destacou o papel de Flávio Bolsonaro na tentativa de reposicionar o grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro no cenário nacional. Segundo a publicação, o senador tem adotado um tom mais moderado em comparação ao pai, embora mantenha alinhamento em pautas conservadoras, combinando posições mais duras em temas sociais com uma visão liberal na economia.
Nos bastidores, a intensificação de agendas internacionais e o discurso voltado ao eleitorado mais amplo são vistos como parte da estratégia de Flávio para consolidar seu nome como opção competitiva na disputa presidencial de 2026. Ao mesmo tempo, suas declarações seguem provocando reações e ampliando a polarização no debate político brasileiro.
