Representantes do Partido Democrata no Congresso dos Estados Unidos apresentaram seis artigos de impeachment contra o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, sob acusações que incluem “crimes graves e contravenções”, entre elas a suposta condução de ações militares contra o Irã sem autorização do Congresso norte-americano.
A iniciativa é liderada pela deputada democrata Yasamin Ansari e, embora tenha sido formalmente protocolada na Câmara dos Representantes, deve enfrentar forte resistência política. Isso porque o Partido Republicano, que detém a maioria na Casa, tende a dificultar o avanço do processo, reduzindo as chances de aprovação do pedido.
O mecanismo de impeachment no sistema norte-americano prevê que a Câmara analise e apresente as acusações contra autoridades do Executivo. Caso aprovado, o processo segue para o Senado, que é responsável por julgar o caso e decidir pela eventual destituição do cargo.
Nas redes sociais, Yasamin Ansari afirmou que apresentou os artigos de impeachment contra Hegseth por supostas violações de juramento, colocando militares norte-americanos em risco e por envolvimento em ações que ela classificou como crimes de guerra. Entre as acusações citadas está a alegação de ataques contra civis e contra uma escola de meninas na cidade de Minab, no Irã.
Um dos pontos centrais do pedido sustenta que o chefe do Pentágono teria autorizado ou iniciado ações militares contra o Irã sem que houvesse declaração formal de guerra ou autorização específica do Congresso dos Estados Unidos, o que, segundo os democratas, violaria regras constitucionais do país.
Outro artigo de impeachment atribui responsabilidade a Hegseth por um ataque ocorrido em 28 de fevereiro, data em que forças dos Estados Unidos e de Israel teriam realizado bombardeios no território iraniano. De acordo com a acusação, uma escola teria sido atingida, resultando na morte de pelo menos 170 pessoas, entre estudantes e professores.
Reportagem do jornal The New York Times informou que investigações militares preliminares apontam a possibilidade de que um míssil de cruzeiro Tomahawk lançado pelos Estados Unidos tenha atingido a escola por erro na seleção do alvo, o que teria contribuído para a tragédia.
Apesar da gravidade das acusações apresentadas pelos democratas, o cenário político no Congresso norte-americano indica que o avanço do processo é incerto, diante da correlação de forças atualmente favorável ao Partido Republicano.
