O Brasil assumiu o centro do palco na Hannover Messe, a principal feira industrial do planeta, com um discurso contundente sobre sua posição no tabuleiro geopolítico. Durante a cerimônia de abertura do pavilhão brasileiro, realizada nesta segunda-feira na Alemanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o país não aceita mais ser relegado a um papel secundário ou de “terceiro mundo”. Ao lado do chanceler alemão Friedrich Merz, o líder brasileiro reforçou que a nação se posiciona hoje como uma liderança do Sul Global, buscando uma parceria produtiva e eficaz com a Europa para gerar novas perspectivas de futuro para ambas as populações.
O evento, que conta com o Brasil como país-parceiro oficial nesta edição, reúne uma delegação de 300 empresas e 140 expositores brasileiros. Em sua fala, Lula resgatou os laços históricos que unem Brasil e Alemanha desde o século XIX, destacando a presença consolidada de indústrias alemãs em solo brasileiro. Contudo, o presidente também dedicou parte de seu pronunciamento a um alerta sobre os tempos atuais, criticando a “era das fake news” e os impactos da revolução digital na harmonia social, defendendo um retorno à convivência em comunidade. O chanceler Friedrich Merz, por sua vez, elogiou o protagonismo brasileiro na transição energética e a vanguarda tecnológica do país no setor agrícola.
A visita pelos estandes serviu como uma vitrine para a inovação sustentável “made in Brazil”. No espaço da catarinense Weg, que possui forte presença industrial na própria Alemanha, foram apresentados motores de última geração com foco em eficiência energética. O presidente também conheceu de perto o biocombustível BeVant, desenvolvido pela empresa B8, ao subir em um caminhão da Mercedes-Benz preparado para operar sem diesel fóssil. Lula aproveitou o momento para enfatizar que a matriz energética brasileira é uma das mais limpas do mundo, argumentando que a mistura de etanol e biodiesel já praticada no país é uma solução pronta e menos custosa para a redução de emissões global.
O encerramento da agenda na feira teve um tom de alta tecnologia com a exibição do Evtol, o “carro voador” da Eve, braço da Embraer. Com planos de estrear comercialmente em São Paulo, o projeto atraiu a atenção da comitiva, que incluiu nomes como o ministro da Fazenda em exercício, Dario Durigan, e o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. Entre cumprimentos a trabalhadores brasileiros e diálogos com executivos de grandes companhias como a Vale, o governo brasileiro utilizou a vitrine de Hanôver para mostrar que o país está pronto para exportar não apenas commodities, mas tecnologia de ponta e soluções para a crise climática global.
