Os Emirados Árabes Unidos acusaram o Irã, nesta segunda-feira (4), de realizar novos ataques com drones e mísseis contra seu território, marcando o que seria a primeira ofensiva desde o início do cessar-fogo firmado no mês passado no Oriente Médio. A denúncia eleva a tensão em uma região estratégica para o comércio global e reacende temores de uma nova escalada militar.
De acordo com autoridades emiradenses, um dos ataques atingiu uma instalação petrolífera em Fuyaira, nas proximidades do Estreito de Ormuz. O incidente provocou um incêndio e deixou três pessoas feridas, segundo informações oficiais. Em paralelo, o Ministério da Defesa afirmou ter detectado o lançamento de quatro mísseis de cruzeiro em direção a diferentes áreas do país. Três deles foram interceptados ainda sobre águas territoriais, enquanto o quarto caiu no mar.
A reação do governo foi imediata. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores classificou os episódios como uma “escalada perigosa” e ressaltou que o país se reserva o direito de responder aos ataques. Como medida de precaução, alertas de emergência foram enviados aos celulares da população — algo inédito desde a entrada em vigor da trégua.
O cessar-fogo, firmado após semanas de confrontos intensos, havia interrompido ataques iranianos no Golfo, que eram apresentados por Teerã como resposta a operações militares conduzidas por Estados Unidos e Israel em território iraniano. Mesmo assim, os Emirados continuam sendo um dos países mais afetados pelo conflito, acumulando milhares de registros de ataques com mísseis e drones desde o início das hostilidades.
Diante do novo cenário de insegurança, o Ministério da Educação emiradense determinou a suspensão das aulas presenciais até o próximo dia 8 de maio, adotando o ensino remoto como alternativa temporária. A medida busca preservar a segurança de estudantes e profissionais da educação enquanto persistem os riscos.
Os reflexos da instabilidade também foram sentidos fora do território emiradense. Em Omã, duas pessoas ficaram feridas após um ataque atingir um prédio residencial na cidade de Bukha, localizada na mesma região estratégica do Golfo. A origem da ofensiva, no entanto, não foi confirmada pelas autoridades locais.
Os episódios ocorrem apenas um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar uma operação com o objetivo de garantir a retomada segura da navegação no Estreito de Ormuz, rota vital para o transporte de petróleo no mundo. A sucessão de ataques e acusações indica que a trégua pode estar sob risco, reacendendo a preocupação internacional com a estabilidade na região.
