Um tribunal de Israel decidiu, no último domingo (3), prorrogar por mais dois dias a detenção do ativista brasileiro Thiago Ávila e de um militante espanhol-palestino, após ambos serem interceptados durante uma missão marítima com destino à Faixa de Gaza. A decisão intensifica a repercussão internacional do caso, que envolve denúncias de violações de direitos e disputas diplomáticas.
Os dois fazem parte de uma flotilha formada por mais de 50 embarcações que partiram de países como França, Espanha e Itália com o objetivo de levar ajuda humanitária ao território palestino, sob bloqueio israelense. A operação foi interrompida na madrugada da última quinta-feira, quando forças israelenses interceptaram o grupo em águas internacionais, nas proximidades da Grécia.
Ao todo, 175 ativistas foram detidos na ação. Entre eles, Thiago Ávila e Saif Abu Keshek foram levados a Israel, onde passaram a ser interrogados pelas autoridades locais. Neste domingo, ambos compareceram a um tribunal na cidade de Ashkelon, onde a Justiça decidiu ampliar o período de detenção, embora por menos tempo do que o solicitado inicialmente pela promotoria.
De acordo com a organização de direitos humanos Adalah, o Ministério Público apresentou acusações como suposto apoio ao inimigo em tempos de guerra e vínculo com organização considerada terrorista. A defesa, no entanto, contesta a legalidade do processo e afirma que a interceptação foi ilegal, classificando a ação como um “sequestro”.
Advogados relataram ainda que os detidos denunciaram maus-tratos durante a abordagem e o período em que permaneceram sob custódia, incluindo agressões físicas, isolamento e permanência com os olhos vendados por dias no mar. Até o momento, segundo a ONG, não houve formalização oficial das acusações.
A defesa sustenta que os ativistas participavam de uma missão estritamente humanitária, com o objetivo de levar assistência à população civil de Gaza, e nega qualquer ligação com organizações ilegais.
O caso provocou reação imediata de governos estrangeiros. Espanha e Brasil criticaram a detenção e pediram a libertação dos seus cidadãos. O governo espanhol reiterou a exigência neste domingo, afirmando que acompanha de perto a situação por meio de sua representação diplomática em Tel Aviv.
O episódio amplia a tensão em torno do bloqueio à Faixa de Gaza e coloca novamente sob os holofotes a disputa entre ações humanitárias internacionais e as restrições impostas por Israel na região.
