Em Pernambuco, poucas coisas funcionam com tanta eficiência quanto contratação de artista em ano eleitoral. Pode faltar drenagem, remédio, asfalto ou até planejamento, mas o palco geralmente chega iluminado, com led, fumaça e cachê milionário pago em dia.
Foi nesse cenário que o Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE) resolveu apertar o cerco sobre shows e eventos financiados com dinheiro público. E, convenhamos, já estava passando da hora.
A nova resolução aprovada pelo tribunal não acaba com festa e nem transforma prefeito em inimigo do forró. O recado é outro: fazer evento é uma coisa; transformar prefeitura em produtora de espetáculo enquanto serviço básico vive no sufoco é outra bem diferente.
Nos últimos anos, muitos municípios entraram numa espécie de campeonato silencioso do “quem traz a atração mais cara”. Em certas cidades, parece até que o sucesso da gestão passou a ser medido pelo tamanho do palco e pela quantidade de drones filmando multidão.
Enquanto isso, a realidade fora do circuito da festa segue menos animada. Tem município onde a ambulância demora, a rua alaga com meia hora de chuva e a população convive com problemas antigos que nunca entram na programação principal.
O mais curioso é que qualquer questionamento sobre gastos costuma virar imediatamente discurso de “ataque à cultura”. E não é disso que se trata. Cultura movimenta economia, gera renda e faz parte da identidade das cidades. O problema começa quando o show recebe prioridade de estrela nacional e os serviços públicos acabam tratados como atração de abertura.
O TCE percebeu esse movimento e decidiu colocar regra no jogo. Agora, municípios que exagerarem nos gastos poderão receber alertas, entrar no radar da fiscalização e até responder por possível desequilíbrio fiscal. Cachês fora da realidade, falta de transparência e festa em cenário de calamidade também passam a pesar na conta.
No fundo, o tribunal parece ter entendido algo simples: a população gosta de festa, mas também começa a querer saber quem paga a conta depois que o som desliga.
ALÍVIO NA JUSTIÇA
A Justiça autorizou a Prefeitura de Goiana a realizar contratações emergenciais para reforçar áreas da assistência social e educação após os impactos das fortes chuvas no município. A decisão levou em consideração o aumento da demanda por atendimento às famílias afetadas.
EMERGÊNCIA PRORROGADA
O prefeito Marcílio Régio prorrogou até julho a situação de emergência em Goiana após os danos causados pelas chuvas. A medida mantém ações emergenciais voltadas à infraestrutura, drenagem e assistência às famílias atingidas.
CONVERSA AVANÇADA
Nos bastidores, cresce o comentário sobre possíveis alianças improváveis para 2026. Em política, adversário de hoje pode virar parceiro amanhã — principalmente quando a matemática eleitoral começa a apertar.
TESTANDO O TERRENO
Tem nome circulando em grupos de WhatsApp e redes sociais mais como teste de aceitação do que como candidatura definida. Em Goiana, muita gente já começou a medir temperatura antes de bater o martelo.
EM SILÊNCIO
Tem secretário municipal adotando a política do “fala pouco e trabalha nos bastidores”. Enquanto alguns gostam de fazer barulho, outros preferem o corpo a corpo e as conversas reservadas de olhos abertos para 2028. Em Goiana, silêncio também virou estratégia eleitoral.
SUMIU, MAS NEM TANTO
Depois de um período mais silencioso, algumas figuras conhecidas da política goianense voltaram a aparecer em agendas públicas. O recado é claro: quem pretende disputar espaço em 2028 já começou a aquecer o motor.
