A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) criticou publicamente, nesta terça-feira (23), a direção nacional do PSOL após a distribuição de recursos partidários que, segundo ela, teria prejudicado candidaturas negras e transsexuais dentro da legenda. A parlamentar afirma que os critérios adotados pelo partido desrespeitaram acordos eleitorais previamente firmados e enfraquecem políticas internas de inclusão.
Em publicação nas redes sociais, Erika afirmou que houve prevalência de um “privilégio branco e cis” sobre decisões políticas e compromissos assumidos com diferentes grupos do partido. Ela também destacou que o PSOL teria recuado em uma política de distribuição que buscava equilibrar repasses considerando gênero, raça e pessoas com deficiência, o que, em sua avaliação, representa um retrocesso justamente em um momento em que o tema ganha reconhecimento institucional.
A deputada citou como exemplo a situação de novas lideranças que ingressaram recentemente na sigla, entre elas Manuela d’Ávila. Segundo Erika, mesmo em início de trajetória dentro do partido, algumas figuras estariam recebendo valores superiores aos destinados a parlamentares com histórico interno mais longo e atuação consolidada.
Ela também mencionou o presidente da Federação PSOL-Rede, Juliano Medeiros, ao apontar que, em sua avaliação, os critérios de distribuição teriam sido nivelados de forma a ignorar trajetórias e compromissos políticos anteriores.
Apesar das críticas, Erika ressaltou que não se trata de negar espaço a novas candidaturas, mas de cobrar transparência e coerência na gestão interna dos recursos. Para ela, decisões como essa podem enfraquecer o próprio partido ao comprometer lideranças com forte apoio popular e capacidade de mobilização eleitoral.
A parlamentar classificou a situação como preocupante e afirmou que a condução atual pode gerar impactos negativos na estratégia política da sigla, ao priorizar critérios que, segundo ela, não refletem a realidade das bases que sustentam o partido.
