O Grupo João Santos, conglomerado empresarial que reúne empresas como a Cimento Nassau e a Usina Santa Tereza, tenta recuperar na Justiça precatórios atualmente avaliados em R$ 2,2 bilhões e que estão vinculados ao Banco Master.
Os títulos foram vendidos por herdeiros do fundador do grupo, João Pereira dos Santos, em uma operação realizada de forma fracionada entre 2019 e 2020. Na época, o banco já pertencia ao banqueiro Daniel Vorcaro, mas ainda utilizava o nome Banco Máxima. As informações foram divulgadas pelo Metrópoles e reproduzidas pelo Blog do Magno.
Segundo a publicação, a atual direção do conglomerado ingressou com uma ação na Justiça de Pernambuco para tentar anular a venda e retomar os precatórios. Um dos principais argumentos é o deságio superior a 80% aplicado na negociação.
Os papéis estavam avaliados em aproximadamente R$ 1 bilhão no momento da operação, mas foram vendidos por cerca de R$ 180 milhões. Com a atualização dos valores, os precatórios chegaram à estimativa de R$ 2,2 bilhões.
Outro ponto questionado pelo grupo é o destino do dinheiro da operação. Segundo os argumentos apresentados na ação, apenas R$ 30 milhões teriam entrado efetivamente nas contas da empresa. O restante teria sido encaminhado para empresas sediadas na Suíça por meio de contas mantidas pelo próprio Master. A alegação ainda está sob análise judicial.
Em setembro de 2025, a Justiça Federal de Pernambuco determinou o bloqueio dos títulos após reconhecer fraude na alienação. A decisão, entretanto, não teve como fundamento principal o suposto deságio da operação. Segundo o Blog do Magno, a Justiça considerou que a empresa não poderia ter realizado a venda porque acumulava dívidas bilionárias com a União.
Os precatórios têm origem em uma antiga disputa envolvendo o setor sucroalcooleiro. A União foi condenada a indenizar usinas por perdas provocadas pela política de controle de preços do extinto Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), entre 1989 e 1994.
Entre os credores estava a Companhia Agro Industrial de Goiana (CAIG), proprietária da Usina Santa Tereza e integrante do Grupo João Santos.
O conglomerado foi construído pelo economista João Pereira dos Santos e chegou a reunir 43 empresas em segmentos como cimento, açúcar, imóveis e comunicação. Após a morte do fundador, em 2009, os herdeiros passaram a disputar judicialmente o controle do patrimônio.
Em 2022, diante de uma dívida estimada em R$ 14 bilhões, o Grupo João Santos entrou com pedido de recuperação judicial. A própria recuperação passou recentemente a ser alvo de novas disputas, inclusive no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), após uma das famílias de herdeiros questionar a atuação do juiz e da administradora judicial responsáveis pelo processo. O pedido, contudo, foi negado pelo ministro Mauro Campbell, corregedor do CNJ.
Enquanto a disputa judicial não chega a uma decisão definitiva, os precatórios permanecem vinculados ao Banco Master. O caso ganhou ainda mais atenção após a liquidação da instituição e a exposição de outros ativos envolvidos nas operações do banco.
*Com informações do Blog do Magno



