O clima entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) voltou a ficar tenso após a divulgação, nesta terça-feira (15), de conversas pelo WhatsApp entre Gilmar Mendes, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. As mensagens vieram a público no mesmo dia em que foi revelado que Nunes Marques bloqueou Gilmar no aplicativo.
A troca de mensagens começou depois que Gilmar questionou a atuação de Fux, André Mendonça e Nunes Marques, afirmando que os três teriam agido de forma coordenada para requerer o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
“Isto revela qualquer coisa, menos postura institucional. Espero que não se repita”, escreveu Gilmar. Fux respondeu: “Gilmar, você deve dizer ‘espero que não se repita’ para quem você quiser. Para cima de mim, não. Ninguém nesse mundo diz para mim como agir”.
Na sequência, Gilmar pediu que Fux cuidasse de atuar como presidente da turma. O ministro respondeu: “Bom dia. Cuide de não encher meu saco!”.
O atrito também envolveu Nunes Marques. Gilmar cobrou que o colega não participasse dos julgamentos e pediu a abertura de suas contas bancárias. “Assumam que estão ferrados e saiam dos processos. Abram as contas”, escreveu. Nunes Marques respondeu: “Me respeite, Gilmar. Isso não é postura”. Depois da troca, bloqueou o colega no WhatsApp.
A crise no Supremo teve início em 1º de setembro, quando André Mendonça divulgou um relatório sobre comunicações entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. O documento indicou um pedido de interferência antes da prisão de Vorcaro, em 17 de novembro de 2025, e citou contratos de alto valor envolvendo o escritório da mulher de Moraes.
Na sessão desta terça-feira, Gilmar defendeu que Moraes e Mendonça fossem julgados juntos. O placar terminou em 4 a 3 pela manutenção dos julgamentos separados. Fachin, Mendonça, Fux e Cármen Lúcia votaram pela separação, enquanto Gilmar, Zanin e Moraes defenderam a unificação.
Flávio Dino pediu vista. Dias Toffoli declarou-se suspeito por questões de foro íntimo, e Nunes Marques se declarou impedido por ser presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).




