O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, se reuniu com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em abril de 2024. O encontro ocorreu no gabinete do magistrado e teve como pauta uma disputa judicial bilionária envolvendo empresas do setor sucroalcooleiro.
A reunião aconteceu em 11 de abril daquele ano, às 18h. Segundo mensagens localizadas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro, o encontro teria sido articulado com o auxílio do empresário Francisco “Chiquinho” Feitosa, que na época era cunhado de Gilmar Mendes.
De acordo com as mensagens, Vorcaro havia combinado com a secretaria do gabinete que ficaria sozinho com o ministro por cerca de 30 minutos e, posteriormente, receberia outras duas pessoas. Entre os nomes mencionados estava Bruno Bianco, ex-advogado-geral da União. A secretaria informou que havia conseguido um encaixe de aproximadamente 15 minutos na agenda do magistrado.
O assunto envolvia processos relacionados a indenizações reivindicadas por usinas contra a União. O Banco Master havia adquirido créditos de precatórios dessas empresas e, por isso, tinha interesse financeiro no desfecho das ações. Segundo estimativa da Advocacia-Geral da União (AGU), o conjunto de processos do setor poderia representar um impacto de até R$ 145 bilhões.
Apesar do interesse de Vorcaro nos processos, o gabinete de Gilmar Mendes afirmou que o ministro votou contra a tese defendida pelo Banco Master nos casos mencionados. No processo envolvendo a Destilaria Alcídia S/A, por exemplo, Gilmar acompanhou a posição da União e votou contra o pagamento do precatório.
Em nota, o STF afirmou que a reunião ocorreu em ambiente institucional e contou com advogados do Banco Master. O gabinete também destacou que o atendimento a advogados em audiências é uma prerrogativa prevista no Estatuto da Advocacia.
*Com informações do Pleno News




