Uma audiência pública será realizada na próxima terça-feira (06), às 9h, no auditório Sérgio Guerra da Assembleia Legislativa de Pernambuco, com o objetivo de discutir a crescente violência contra a mulher e os alarmantes casos de feminicídio no estado. A iniciativa é das deputadas Delegada Gleide Ângelo (PSB), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, e Dani Portela (PSOL), presidente da Comissão de Cidadania, Direitos Humanos e Participação Popular, em parceria com o Levante Feminista Contra o Feminicídio.
Foram convidados a participar representantes das secretarias da Mulher e de Defesa Social de Pernambuco, além de membros do Ministério Público, da Defensoria Pública e do Tribunal de Justiça. A proposta é esclarecer dúvidas e questionamentos sobre as falhas nas políticas de proteção às mulheres.
“Em pleno 2025, seguimos enfrentando uma realidade alarmante: as mulheres continuam sendo assassinadas, espancadas e violentadas diariamente. São registros que mostram a ineficiência das políticas de proteção às mulheres. Precisamos entender de perto o que está acontecendo para poder garantir o funcionamento eficaz desses equipamentos. Mas o que vemos são delegacias especializadas fechadas em feriados e pontos facultativos e casas abrigo, que deveriam ser espaço para proteção, funcionando precariamente”, declarou a Delegada Gleide Ângelo.
Um estudo elaborado pelo Ministério Público após visitas às quatro casas abrigo do Estado identificou instalações mal equipadas, falta de itens básicos, remoções irregulares e denúncias sobre o despreparo das equipes gestoras. “Estamos vendo que o Estado tem falhado cotidianamente na proteção e no cuidado à vida das mulheres. São pelo menos 57 mulheres assassinadas desde o mês de janeiro. São mulheres que pedem ajuda e socorro nas redes sociais porque não encontram segurança e proteção nos aparelhos do Estado”, pontua.
Dados da Secretaria de Defesa Social apontam que, entre janeiro e 31 de março, foram registrados 14.076 boletins de ocorrência por violência doméstica — número que já representa um terço dos casos de todo o ano anterior. Já os feminicídios somam 77 vítimas apenas em 2024. “Somente com ações coordenadas e comprometidas poderemos mudar esse cenário de violência e garantir às mulheres de Pernambuco o direito fundamental à vida e à segurança”, concluiu a Delegada.
