O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, reagiu com dureza às declarações do dirigente do PL, Valdemar Costa Neto, e negou qualquer negociação envolvendo vetos presidenciais e a possível instalação de uma comissão parlamentar de investigação. Em meio à escalada da tensão política, Alcolumbre classificou como invenção a versão apresentada pelo aliado de Jair Bolsonaro e afirmou jamais ter tratado do assunto.
A polêmica teve origem em uma entrevista concedida por Valdemar no início do mês, que voltou a circular com força nas redes sociais nos últimos dias. Na ocasião, o dirigente partidário disse ter discutido com o senador Rogério Marinho uma proposta segundo a qual a oposição aceitaria votar a derrubada de vetos ao projeto de dosimetria das penas, desde que fosse abandonada a ideia de criar uma CPI para investigar o Banco Master.
Alcolumbre rechaçou a narrativa e disse ter ficado “estarrecido” com as declarações. Segundo ele, não houve qualquer conversa nesse sentido, tampouco definição de data para sessão do Congresso que trate dos vetos. O embate expõe mais uma fissura entre lideranças políticas em torno de temas sensíveis que envolvem o Judiciário, o Legislativo e investigações em curso.
O pano de fundo da disputa inclui o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a um projeto que previa a redução de penas para condenados por atos golpistas, incluindo os envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023. A decisão ainda poderá ser analisada pelo Congresso, que tem poder para manter ou derrubar o veto, desde que alcance o número mínimo de votos exigido.
Nos bastidores, cresce a resistência à instalação de uma comissão para investigar o Banco Master. Além de Alcolumbre, o presidente da Câmara, Hugo Motta, também seria contrário à criação do colegiado. A avaliação é de que uma CPI poderia se transformar em palco político em ano de forte movimentação eleitoral.
O caso ganhou contornos ainda mais complexos com a circulação de informações envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Conversas atribuídas a ele mencionam interlocuções com figuras do alto escalão político, o que ampliou a pressão por investigações e, ao mesmo tempo, reforçou o receio de vazamentos de dados sigilosos.
A atuação da Polícia Federal também entrou no centro do debate. A corporação apontou que dados sensíveis, anteriormente retirados por determinação judicial, teriam sido reinseridos em sistemas ligados ao Senado por solicitação da presidência da comissão responsável pelo caso. A situação levou o ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, a restringir o acesso às informações, citando a necessidade de preservar o sigilo.
Enquanto o impasse se desenrola, Alcolumbre mantém posição contrária à prorrogação da comissão que apura irregularidades no INSS, embora sinalize que poderá acatar eventual decisão do Supremo sobre o tema. O cenário evidencia um ambiente político tensionado, onde disputas narrativas, interesses institucionais e investigações sensíveis se entrelaçam, elevando a temperatura em Brasília.
*Com informações do G1.
