A cantora Shakira escreveu mais um capítulo histórico de sua relação com o Brasil ao se apresentar, na noite do último sábado (2), na Praia de Copacabana, diante de cerca de 2 milhões de pessoas. Primeira artista latino-americana a integrar o projeto “Todo Mundo no Rio”, ela sucedeu apresentações de Madonna e Lady Gaga, consolidando o evento como um dos maiores espetáculos musicais do mundo.
A expectativa do público, que começou a ocupar a orla ainda de madrugada, foi recompensada com uma apresentação grandiosa, apesar do atraso de uma hora e vinte minutos. O motivo, segundo relatos, foi um problema pessoal enfrentado pela artista pouco antes de subir ao palco, após receber a notícia de um mal-estar do pai. Ainda assim, quando finalmente apareceu, Shakira foi recebida com entusiasmo em um espetáculo que começou com um impressionante show de drones, desenhando no céu uma loba — símbolo que a acompanha ao longo da carreira — e uma declaração direta: “Te amo, Brasil”.
Ao longo da noite, a artista reafirmou esse vínculo construído há mais de três décadas com o público brasileiro. Em sua 49ª apresentação no país, ela entregou um repertório que percorreu diferentes fases da carreira, misturando ritmos como pop latino, rock, reggaeton, funk e influências da música árabe, presentes em sua identidade artística.
Baseado em seu álbum mais recente, Las Mujeres Ya No Lloran, o show trouxe também uma mensagem forte de empoderamento feminino. Em diversos momentos, Shakira destacou a força e a resiliência das mulheres, conectando sua trajetória pessoal com a de milhões de fãs. “Não existe melhor coisa pra mim do que uma lobinha encontrar sua alcateia brasileira”, disse, em tom emocionado, antes de mergulhar em sucessos que marcaram gerações.
O espetáculo também foi marcado por participações especiais que incendiaram o público. A brasileira Anitta subiu ao palco para uma apresentação inédita ao vivo, enquanto Caetano Veloso e Maria Bethânia trouxeram momentos de emoção com clássicos da música nacional. Já Ivete Sangalo transformou a praia em um verdadeiro carnaval ao som de “País Tropical”.
Outro ponto marcante foi a participação virtual dos filhos da cantora, Milan e Sasha, que apareceram no telão durante uma performance mais intimista, aproximando ainda mais a artista do público.
Com dez trocas de figurino e uma produção de grande escala, o show caminhou para um encerramento vibrante, reunindo hits como “Whenever, Wherever” e “Waka Waka”, antes de um bis que levou Shakira até o público para selfies e abraços, em um gesto que simbolizou a conexão construída ao longo dos anos.
Mais do que um espetáculo musical, a apresentação em Copacabana foi uma celebração da trajetória de Shakira e de sua capacidade de se reinventar. Em meio a desafios pessoais, ela transformou a noite em um manifesto de força, emoção e liberdade, reafirmando o Brasil como um dos pilares de sua história artística.
