A política migratória dos Estados Unidos voltou ao centro das atenções internacionais às vésperas da Copa do Mundo de 2026. Nesta quarta-feira (10), o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, defendeu uma revisão das medidas adotadas pelo governo americano, alertando para impactos sobre a dignidade humana e a participação de atletas, árbitros e torcedores no maior evento do futebol mundial.
A declaração ocorre em meio a uma série de episódios que têm gerado preocupação entre entidades esportivas e organismos internacionais. Um dos casos mais emblemáticos envolve o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, eleito melhor árbitro africano de 2025, que teve a entrada nos Estados Unidos negada mesmo possuindo visto válido. Escalado para atuar no Mundial, ele seria o primeiro representante da Somália a apitar uma Copa do Mundo. As autoridades americanas alegaram questões relacionadas à verificação de antecedentes, mas não detalharam os motivos da decisão.
As restrições também atingiram a seleção do Irã. Em razão das tensões diplomáticas e militares envolvendo o país, jogadores iranianos precisaram buscar vistos em um terceiro país para garantir participação na competição. A federação iraniana ainda denunciou a retirada da cota de ingressos destinada aos seus torcedores, medida que, segundo a entidade, impede que muitos apoiadores acompanhem os jogos da equipe nos Estados Unidos.
Outro episódio que ganhou repercussão ocorreu com a delegação do Senegal. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram jogadores passando por rigorosos procedimentos de segurança ainda na pista do aeroporto, incluindo inspeções com detectores de metal. Relatos semelhantes também envolveram integrantes da seleção do Uzbequistão.
Diante dos episódios, cresce o debate sobre os desafios de sediar uma competição global em meio a políticas migratórias mais rígidas. A Copa do Mundo de 2026 será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México, mas as recentes ocorrências levantam questionamentos sobre o acesso e a recepção de participantes de diferentes nacionalidades no país que receberá a maior parte dos jogos do torneio.
