A trajetória de cinco décadas de Djavan ganhou uma nova versão em livro. Aos 77 anos, o cantor e compositor é tema da biografia Djavan – Dizem que o amor atrai, escrita por Tiago Ramos e Mattos, que reúne episódios da vida pessoal e profissional de um dos grandes nomes da Música Popular Brasileira.
Apesar da proposta de retratar diferentes momentos da carreira do artista, a obra não menciona uma declaração dada por Djavan em dezembro de 2018, pouco antes da posse de Jair Bolsonaro na Presidência da República. Na ocasião, ao ser questionado sobre as perspectivas para o Brasil em 2019, o cantor afirmou estar esperançoso com o futuro do país e destacou a segurança pública como uma das principais urgências nacionais.
Em entrevista à revista Veja, Tiago Ramos explicou que decidiu não incluir o episódio por considerá-lo pouco relevante diante da trajetória artística de Djavan e para evitar transformar a biografia em uma discussão política. Segundo o escritor, anos depois o cantor declarou apoio a Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou que sua fala de 2018 havia sido mal interpretada.
A biografia não foi autorizada por Djavan. O artista também não participou da produção nem revisou o conteúdo antes da publicação. De acordo com o autor, a ideia de escrever o livro surgiu após assistir ao primeiro show do cantor, em 2002. Desde então, ele passou a reunir informações em reportagens, documentos e relatos de pessoas próximas ao músico.
A entrevista de 2018 voltou a ganhar destaque justamente após a publicação da biografia, reacendendo o debate sobre a forma como declarações políticas de artistas são contextualizadas em obras que buscam contar suas trajetórias. Naquele momento, Djavan afirmou acreditar que o Brasil poderia avançar e defendeu que segurança, educação, saúde, trabalho e transporte estavam diretamente ligados à qualidade de vida da população.
