O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se pronunciou sobre a crise que envolve o Supremo Tribunal Federal (STF) e as investigações relacionadas ao Banco Master. Em declaração divulgada nesta quinta-feira (3), Lula defendeu mudanças no sistema político e no Judiciário e afirmou que ninguém deve ser protegido de investigações.
“Fica claro que o nosso sistema político e Judiciário precisa de reformas profundas. É fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém, doa a quem doer. O povo brasileiro tem o direito de saber a verdade”, declarou o presidente.
Lula também classificou o caso Banco Master como o “maior roubo da história do Brasil” e afirmou que o banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como líder do esquema investigado, mantinha relações com pessoas “muito poderosas”.
Ao comentar o episódio, o presidente buscou destacar que as principais medidas contra Vorcaro ocorreram durante seu governo. Segundo Lula, foi na atual gestão que o banqueiro acabou preso e o Banco Master foi liquidado.
A manifestação ocorre após o avanço das investigações sobre a relação entre Vorcaro e integrantes de diferentes instituições. O ministro André Mendonça retirou o sigilo de informações obtidas pela Polícia Federal, ampliando a exposição dos diálogos e dos fatos investigados.
Entre os elementos divulgados estão mensagens nas quais Vorcaro procurava o ministro Alexandre de Moraes para tratar de sua situação jurídica antes de ser preso, além de referências ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
O caso também envolve um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes. Segundo informações divulgadas pelo Estadão, o próprio ministro teria editado uma versão do contrato.
Também vieram a público informações sobre cartões de crédito com limite de R$ 300 mil destinados aos filhos de Moraes, cuja emissão teria sido solicitada pelo escritório da advogada. Outros diálogos apontam ainda para um contrato envolvendo a participação de Viviane em aeronaves de Vorcaro.
Lula criticou, entretanto, o que chamou de “vazamentos seletivos” e defendeu que as investigações sejam conduzidas de maneira a preservar a credibilidade das instituições democráticas.
O presidente afirmou esperar que o presidente do STF, ministro Edson Fachin, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, conduzam o processo com transparência e garantam a integridade das apurações.
“Há suspeita de políticos e agentes públicos envolvidos. Nossa democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos”, afirmou Lula.
A crise ganhou novos contornos nesta semana após Moraes pedir providências contra Mendonça e solicitar que o colega seja investigado por suposto abuso de autoridade. Mendonça, por sua vez, passou a questionar a atuação de Moraes no caso.
Diante da escalada do conflito, Lula defendeu que as instituições enfrentem as suspeitas por meio dos mecanismos legais e reiterou a necessidade de reformas no sistema político e no Judiciário.
*Com informações da Agência AE



