O convite feito pelo PSDB ao ex-ministro Ciro Gomes para que ele dispute a Presidência da República nas eleições deste ano causou surpresa entre dirigentes da sigla no Ceará e abriu uma nova frente de incertezas sobre o cenário político estadual.
A sinalização do partido, considerada um movimento de peso pela cúpula nacional, foi feita pelo presidente do PSDB, Aécio Neves, durante reunião da legenda na Câmara dos Deputados, realizada na última segunda-feira. O convite, segundo integrantes do partido, teria surgido na véspera do encontro e pegou aliados de Ciro de surpresa.
A possível candidatura ao Palácio do Planalto altera diretamente as articulações já em andamento no Ceará, onde o nome de Ciro vinha sendo trabalhado como principal opção do partido para a disputa pelo governo estadual. Aliados do ex-governador afirmam que ele segue mais inclinado a concorrer no estado, mas reconhecem que a decisão ainda não está fechada e deve ser amadurecida até julho, prazo final para definição das candidaturas.
Na quarta-feira, o próprio Ciro comentou o convite e afirmou estar “cada dia mais inclinado” a disputar o governo cearense, embora tenha classificado como “honrosa” a lembrança do PSDB para que ele entre na corrida presidencial.
O impasse tem impacto direto na formação das chapas no estado. Caso Ciro opte por não disputar o governo do Ceará, nomes como o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio passam a ser cotados como possíveis cabeças de chapa. Outra alternativa ventilada é o ex-deputado federal Capitão Wagner, que atualmente também é pré-candidato ao Senado e lidera a federação União-Progressistas no estado.
As articulações envolvem ainda negociações com o PL, que pode integrar a base de apoio de Ciro no Ceará, com o deputado estadual Alcides Fernandes sendo cogitado para compor uma eventual chapa majoritária ao Senado. A eventual mudança de planos, no entanto, pode dificultar esse alinhamento, segundo aliados do ex-ministro.
A movimentação ocorre em meio a um cenário de força eleitoral de Ciro no estado. Levantamento do Datafolha divulgado no mês passado aponta o ex-governador com 47% das intenções de voto em um eventual primeiro turno no Ceará, enquanto o governador Elmano de Freitas aparece com 32%, em cenário de disputa pela reeleição.
Dentro do PSDB, a possibilidade de uma candidatura presidencial de Ciro é vista com entusiasmo. O ex-presidente da sigla, Marconi Perillo, afirmou que o ex-ministro reúne experiência e poderia representar uma alternativa ao ambiente de polarização nacional, ao mesmo tempo em que reconheceu que ele vive um “dilema” entre a projeção nacional e a força política já consolidada no Ceará.
O tema também repercute dentro do próprio núcleo familiar de Ciro. O senador Cid Gomes, irmão do ex-governador, afirmou que seria “constrangedor” não apoiá-lo caso ele entre na disputa presidencial e declarou que apoiaria a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição apenas “se não houver outra alternativa”, evidenciando o racha político dentro da família Ferreira Gomes.
Com a janela de decisão ainda aberta e pressões vindas tanto do cenário nacional quanto estadual, Ciro se torna peça central em um xadrez político que pode redesenhar alianças no Ceará e influenciar a composição das chapas majoritárias nas eleições deste ano.
Com informações do jornal O Globo.
