O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, criticou nesta quarta-feira (12) a decisão do governo de Donald Trump de reduzir o número de vacinas infantis recomendadas pelo governo dos Estados Unidos. Segundo Tedros, a nova política não acompanha décadas de evidências científicas sobre a importância da imunização.
Trump assinou na segunda-feira (10) uma ordem executiva que diminui de 18 para 11 o número de doenças para as quais a vacinação é recomendada de forma geral para crianças. Outras imunizações passaram a depender de critérios de risco ou de uma decisão conjunta entre pais e médicos.
Entre as vacinas que ficaram sujeitas a essas condições estão as contra gripe, Covid-19, hepatite A e B, rotavírus e meningite. O governo também determinou uma revisão do calendário federal de vacinação infantil.
Tedros afirmou que as políticas de imunização devem ser baseadas em análises rigorosas, independentes e transparentes das evidências científicas disponíveis, e não em influência política. Ele alertou ainda que atrasar vacinas ou separar doses sem necessidade pode deixar crianças vulneráveis a doenças.
A declaração ocorre em um momento de preocupação com o avanço de doenças que podem ser prevenidas por vacinação. Especialistas em saúde pública já alertaram para o risco de aumento de casos, enquanto os Estados Unidos enfrentam seu maior número de registros de sarampo em décadas.
Trump também relacionou a decisão a preocupações sobre o aumento dos casos de autismo e questionou a segurança da vacina tríplice viral. No entanto, décadas de pesquisas científicas não encontraram relação causal entre a vacinação e o autismo.
