A Polícia Federal avançou nas investigações sobre um suposto esquema de financiamento ilegal de campanhas ao prender, nesta terça-feira (5), o deputado estadual Thiago Rangel. A ação faz parte da quarta fase da Operação Unha e Carne, que apura a atuação de uma organização criminosa ligada ao direcionamento de contratos públicos.
De acordo com os investigadores, um dos pontos centrais do inquérito envolve a promessa de R$ 2,9 milhões em caixa dois, que teria sido feita pelo ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Rodrigo Bacellar, para impulsionar a campanha da filha de Rangel à Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes. O montante, segundo a PF, também beneficiaria outros candidatos alinhados politicamente ao deputado.
As suspeitas se intensificaram após a análise de conversas entre Rangel e o apontado operador financeiro do grupo, Luiz Fernando Passos de Souza, que também foi alvo da operação. Para a corporação, há indícios de que o parlamentar exercia papel de liderança dentro de um esquema que envolvia a manipulação de contratos de obras em escolas estaduais, com empresas que devolveriam parte dos recursos desviados aos integrantes da organização.
Ainda conforme a investigação, Souza já atuava como operador financeiro desde a campanha de Thamires Rangel, filha do deputado, em 2024. Relatórios anteriores, como o da Operação Postos de Midas, já apontavam indícios de compra de votos durante o pleito municipal, que teria contado com apoio financeiro irregular.
Os investigadores também identificaram movimentações financeiras suspeitas envolvendo uma empresa registrada em nome da esposa de Souza, descrita como uma casa de festas. Segundo a PF, o local teria sido utilizado para receber e redistribuir valores desviados de contratos públicos. Transferências entre essa empresa e outra ligada diretamente a Rangel reforçariam, na visão da corporação, a existência de uma estrutura organizada para ocultar a origem dos recursos.
Procurada, a defesa do deputado afirmou ter sido surpreendida com a prisão preventiva e informou que ainda está analisando os detalhes da investigação. Em nota, reiterou confiança nas instituições e no devido processo legal, negando qualquer prática ilícita e afirmando que os esclarecimentos serão prestados no decorrer do processo.
