O longa-metragem “Dark Horse”, cinebiografia inspirada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, entrou no centro de uma nova polêmica após a divulgação de valores milionários ligados à produção do projeto. Segundo reportagem do The Intercept Brasil, o banqueiro Daniel Vorcaro teria transferido cerca de R$ 62 milhões entre fevereiro e maio de 2025 para financiar o filme.
O montante supera o orçamento de produções brasileiras de grande repercussão nos últimos anos, como O Agente Secreto, estrelado por Wagner Moura, que teve custo estimado em R$ 28 milhões, e Ainda Estou Aqui, premiado no Oscar e produzido com cerca de R$ 45 milhões.
De acordo com informações publicadas pela jornalista Malu Gaspar, o projeto cinematográfico teria sido apresentado a Daniel Vorcaro pelo publicitário Thiago Miranda, proprietário da agência Mithi. Miranda confirmou que a aproximação ocorreu a pedido do deputado federal Mario Frias.
Segundo o publicitário, o plano inicial previa investimentos que poderiam chegar a R$ 134 milhões, valor equivalente a quase cinco vezes o orçamento de “O Agente Secreto”. Os pagamentos, no entanto, teriam sido interrompidos após a prisão de Daniel Vorcaro e o avanço das investigações envolvendo supostas fraudes relacionadas ao Banco Master.
A repercussão dos números chamou atenção também pelo contraste com outras grandes produções nacionais recentes. No caso de “O Agente Secreto”, parte significativa do orçamento foi viabilizada por coprodução internacional entre Brasil, França, Alemanha e Holanda. Dados da Agência Nacional do Cinema apontam que a participação brasileira no projeto ficou em torno de R$ 13,5 milhões, incluindo recursos do Fundo Setorial do Audiovisual, ligado ao Ministério da Cultura e operacionalizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
As revelações envolvendo o financiamento de “Dark Horse” aumentam a pressão sobre personagens ligados ao projeto e ampliam o debate sobre a origem dos recursos destinados à produção audiovisual. Até o momento, os envolvidos negam irregularidades relacionadas à negociação do filme.
