O tribunal superior anticorrupção da Ucrânia determinou nesta quinta-feira a prisão preventiva de Andrii Yermak, ex-chefe de gabinete do presidente Volodymyr Zelenskyy, suspeito de envolvimento em um esquema milionário de lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos.
Yermak, de 54 anos, ocupou um dos cargos mais influentes do governo ucraniano entre 2020 e o fim de 2025, período marcado pela guerra contra a Rússia e por sucessivos desafios políticos e econômicos enfrentados pelo país. A decisão judicial prevê prisão preventiva por 60 dias a partir do momento em que ele for efetivamente detido.
Além da ordem de prisão, o tribunal fixou fiança equivalente a cerca de R$ 15,8 milhões. Durante a audiência transmitida ao vivo, Yermak negou as acusações e afirmou que irá contestar judicialmente todas as denúncias apresentadas contra ele.
Segundo os investigadores, o ex-chefe de gabinete teria participado de uma rede de lavagem de dinheiro ligada a um empreendimento imobiliário de luxo nos arredores de Kiev. As autoridades estimam que o esquema tenha movimentado cerca de 460 milhões de dólares em operações consideradas suspeitas.
A crise envolvendo Yermak ganhou força ainda no ano passado, quando agentes anticorrupção realizaram buscas em sua residência dentro de uma investigação sobre irregularidades no setor de energia ucraniano. Pouco tempo depois da operação, ele deixou o cargo no governo.
O caso aprofunda a pressão sobre o governo de Zelensky, que já vinha enfrentando desgaste político provocado por denúncias de corrupção em meio ao prolongado conflito com a Rússia. Até o momento, o presidente ucraniano não comentou publicamente a nova investigação.
As apurações estão sendo conduzidas em conjunto com a agência anticorrupção da Ucrânia, que no ano passado revelou um amplo esquema de corrupção envolvendo integrantes do alto escalão do governo e contratos ligados ao setor energético, um dos mais afetados pela guerra.
